Danúbio e o Grupo de Bagé

A primeira exposição da Moblanc Galeria no ano de 2020 ocorre em um período de turbulência onde uma pandemia faz parar o mundo. Pacientes com Covid-19 tomam conta dos hospitais e as autoridades de todos os países fecham as portas dos estabelecimentos considerados não essenciais. No campo da arte, programações de todos os museus, em âmbito global, são suspensas, assim como a realização de grandes feiras de arte, sessões de cinema e peças de teatro. O coronavírus leva à suspensão de convenções, adia as olimpíadas de Tokyo e importantes campeonatos de todas as modalidades esportivas. A pandemia interdita o Carrossel do Louvre e a Disneylândia. Entretanto, a vida não pode parar, bem como os sonhos e o desejo de lutar por dias melhores.


E, neste cenário, propomos olhar para trás, na expectativa de aprender com grandes mestres a arte de observar e comunicar, através de linhas, traços e pinceladas, a realidade de maneira a fazê-la mudar, de gritar em silêncio e ser ouvido atentamente. Retorna-se, portanto, ao ano de 1951, na cidade fronteiriça de Bagé, no Rio Grande do Sul, quando os amigos e artistas Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti, ao compreender a potencialidade de suas produções, resolveram dar um caráter mais profissional ao trabalho que já vinham realizando juntos e, com Danúbio Gonçalves e o santa-mariense Carlos Scliar, formaram o Clube de Gravura de Bagé, mais conhecido como o Grupo de Bagé


Os amigos artistas tinham como propósito lutar pela paz, pelos direitos dos trabalhadores da campanha, bem como por causas políticas. Seus olhares eram registrados nos papel, por meio da arte. A linguagem da gravura propiciou uma produção consistente e plural, e a sua fácil circulação possibilitou ao Grupo o surgimento de diversas oportunidades. Foram cinco anos de produção conjunta do Grupo de Bagé, com temáticas e características que lhes eram próprias e, posteriormente unidos ao Clube de Gravura de Porto Alegre, a Arte do Rio Grande do Sul passou a ser reconhecida nacional e internacionalmente, estando presente nos livros de história da arte brasileira.


Esta exposição tem como propósito reconhecer a importância do Grupo Bagé, sua história e legado, bem como homenagear Danúbio Gonçalves, falecido em abril de 2019, e o santa-mariense Carlos Scliar que completaria 100 anos em junho de 2020. Mais que uma curadoria, essa exposição é um presente para todos, para nós, organizadores, e para o público que a visita. Nossas raízes estão aqui, representadas por meio de 39 obras de arte, de diversas técnicas e temáticas. São pinturas, desenhos, técnicas mistas e gravuras, de artistas com características múltiplas, que realizaram sua arte com intensidade e entusiasmo. Danúbio Gonçalves, Carlos Scliar, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti levaram, inicialmente juntos, a arte gaúcha para além das fronteiras.


Curadoria | Andrea Capssa

Expografia | Rittieli Quaiatto


*As obras que compõem esta exposição pertencem ao acervo da

Galeria Espaço Cultural Duque de Porto Alegre

e estão disponíveis para comercialização via Moblanc Galeria, com exclusividade.

Todas as obras são originais e acompanham certificado de autenticidade. Valores sob consulta.




Obras do Artista